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Carreira &Gartner &TI André Dourado em 28 ago 2008

Especialistas, Generalistas ou Versatilistas?

Jogando nas onze em TI

Nem especialista, nem generalista: a tendência é que o mercado procure cada vez mais os “versatilistas”, profissionais com qualidades dos dois perfis

Por Aline Brandão

A velha discussão “especialistas X generalistas” parece estar com os dias contados. Pelo menos é o que insinua o estudo do Gartner Unlocking the Business Value of People: Building Versatility (“Desvendando o Valor de Negócio das Pessoas: Construindo Versatilidade”). De acordo com o o trabalho, a demanda pelos especialistas em TI deve diminuir em 40% até 2010; enquanto isso, já é possível notar uma procura cada vez maior pelo que o estudo chama de “perfil versatilista”.

Mas afinal, quem é e o que faz um versatilista? A palavra é nova, mas o conceito é um velho conhecido – especialmente para os brasileiros. Na definição do Gartner, o versatilista é alguém com conhecimentos profundos em um escopo de situações e experiências progressivamente maior.

“Em bom português, ele é ‘o cara que joga nas onze’ – define o gerente de recrutamento da CASE Consulting, Luís Felipe Castro. Luís dá um outro exemplo. Digamos que o especialista ponha todas as suas “fichas” numa única tecnologia, enquanto o generalista distribui suas “fichas” igualmente entre todas. O versatilista seria o meio-termo: ele escolhe três ou quatro áreas para se dedicar mais, sem fechar os olhos para o que está em volta.

Seguindo a maré do mercado

Em países como os Estados Unidos, a idéia causa mais estranheza do que aqui no Brasil. Isso acontece por conta das diferenças culturais: lá, a divisão entre especialistas e generalistas sempre foi bem definida. Além disso, os americanos não estão acostumados a realizar tarefas que estejam fora do job description – algo que os brasileiros, graças ao famoso “jeitinho”, conhecem bem.

“Nos EUA, as pessoas têm uma educação que os leva a ser especialistas ou generalistas; elas criam essa opção de escolha. Aqui não existem as mesmas opções, o profissional acaba optando pelo que o mercado exige no momento – afirma a Analista de RH da Triad Systems, Iara Lordelo.

Mas se nós já temos uma tendência cultural à versatilidade, outros fatores dificultam a formação de um versatilista. Segundo o diretor da Publiweb Marketing Digital, Conrado Adolpho, como ele precisa se aprofundar mais do que os generalistas, é preciso estudar mais – e nem sempre há tempo para isso. “É complicado porque o brasileiro tem que estudar e trabalhar, as faculdades são caras, os impostos são altos. Mas a pessoa tem que se esforçar, mesmo indo contra a corrente, para ser versátil. A responsabilidade é mais delas do que da sociedade ou do governo – justifica.

O Gerente de Marketing da Digitron, Sérgio Amaral, cita o exemplo da própria carreira para explicar o caminho de um versatilista. “No início da carreira, quando me formei em Engenharia da Computação, esse era meu único interesse. Comecei trabalhando na área técnica, mas acabei sendo direcionado para o marketing; fiz pós-graduação em Marketing por demanda da empresa. No passado você podia ter a formação específica e não abrir o leque. Hoje você tem que estar aberto para isso – diz.
Para Sérgio, o ideal é começar como especialista, focado numa área ou tecnologia, para depois se aprofundar em outras áreas relacionadas à primeira. Já Conrado Adolpho acha que isso depende de como cada um assimila conhecimentos: há quem prefira se especializar e depois olhar em volta, enquanto outros optam por obter uma visão macro e depois escolher as áreas a que pretende se dedicar mais.

Não é de hoje que as empresas procuram profissionais com mil e uma utilidades. Ter um leque amplo de habilidades sempre foi valorizado; o problema é que, há dez anos, o número de pessoas trabalhando em TI (e, conseqüentemente, o número de candidatos a vagas) era menor. Hoje, embora as pesquisas demonstrem que o mercado ainda pode acomodar muita gente, a exigência das empresas quanto à qualidade dos profissionais é maior. Isso acontece porque a TI, hoje, está cada vez mais envolvida nas decisões de negócio.

“Há uns dez anos a gente tinha três pessoas concorrendo a uma vaga. Hoje são cem, duzentos currículos – diz Iara. No momento da seleção para um emprego, ter mais de uma área de conhecimento acaba fazendo a diferença. Passa para a frente da fila de currículos aquele profissional que, além de preencher os requisitos básicos da vaga, também entende de negócios, fala mais de um idioma ou tem experiência em outras áreas da TI.

Procura-se super-homens

Pode surgir a impressão de que o mercado está em busca de um super-profissional – alguém capaz de desenvolver o sistema, implantá-lo, vendê-lo, gerenciar a equipe, prestar suporte, criar o site da empresa… tudo ao mesmo tempo. Nas palavras do Principal Systems Engineer da BEA Systems, Ricardo Urresti, algumas solicitações de emprego parecem verdadeiras “listas de Papai Noel”.

“É algo recorrente. Por mais de uma vez, já tive que devolver solicitações para as consultorias, porque tinham exigências fora do escopo. O mercado procura pelo ‘super-homem’, sim; mas eu o vejo mais como o generalista, como alguém que possa falar sobre qualquer coisa por cinco minutos. O versatilista não fala sobre qualquer coisa, mas pode falar por duas horas sobre aqueles assuntos que ele conhece melhor – explica.

Quem tenta ser o super-homem acaba correndo um risco: o de abrir demais o foco. Na hora de elaborar o currículo, é preciso definir uma estratégia e destacar as qualidades mais relacionadas ao interesse do futuro empregador. Do contrário, em vez de vender a imagem de um profissional versátil, o candidato se mostra simplesmente alguém confuso. “É preciso haver uma linha filosófica, estar dentro de categorias. No currículo de um candidato que já foi ator, analista de sistemas e veterinário, não há uma linha lógica – exemplifica Iara.

Como ser um versatilista

Afinal, qual é o segredo para ser um versatilista? Dentre as qualidades, o profissional versátil precisa de rapidez de aprendizado, curiosidade e flexibilidade. Um ponto é unânime: comece com uma boa formação.

“O primeiro grande ponto é ter uma formação acadêmica sólida, para dar a base da sua linha de conhecimento. A partir daí, ele vai seguir as oportunidades que surgirem na empresa, ou correr atrás por interesse pessoal – diz Ricardo.

Para Conrado Adolpho, o ideal é que haja um equilíbrio entre o lado especialista e o generalista. “Muitas vezes o profissional decide se dedicar a uma formação especializada e esquece de ler o jornal, de conversar com os colegas. Para trazer inovação para o seu trabalho, você precisa fazer analogias, fazer relações entre coisas que não necessariamente têm a ver com a sua área de atuação – explica.

Fonte: Revista TI – TI Master

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Um comentário para “Especialistas, Generalistas ou Versatilistas?”

  1. em 12 mai 2009 às 22:53 1.ADSystems » Generalistas X Especialistas na TV Ideal escreveu …

    [...]     A falsa dicotomia: generalista versus especialista     Especialistas, Generalistas ou Versatilistas? Post visualizado 1 [...]

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