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TI André Dourado em 28 out 2008

Vale a pena ser um early adopter?

por Carlos Ossamu, da Info CORPORATE
9 de setembro de 2008

Conheça os riscos e vantagens em estar entre os primeiros a adotar novas tecnologias, na opinião dos CIOs

O CIO convive com pressões aparentemente contraditórias. Se por um lado existe a cobrança por inovação e criatividade para obter um diferencial competitivo, por outro, há a necessidade de oferecer um serviço com segurança e confiabilidade, que somente tecnologias maduras e amplamente testadas podem oferecer.

Apesar desse dilema, vale a pena ser pioneiro na adoção de novas tecnologias? Saiba as opiniões de seis CIOs sobre o assunto: Guilherme Martins (VB Serviços), Lúcio Antônio Nubile (Cummins), Mário Sérgio Moreira (TIM), Roberto Marucco (Sul América Seguros e Previdência), Roberto Newton Carneiro (Comgás) e Tacyana Salomão (Eurofarma).

GUILHERME MARTINS – diretor de Tecnologia VB Serviços
Pessoalmente, gosto muito de iniciativas de inovação, de pesquisar novas linguagens, interfaces com usuários, ferramentas, etc. A área de TI também é constantemente cobrada para dar soluções inovadoras às áreas de negócios, para que a empresa alcance um diferencial competitivo. Por outro lado, precisamos ponderar os riscos que uma nova tecnologia sempre traz. Em aplicações que não são o core business da companhia fica mais fácil se posicionar como early adopter. Há alguns anos reformulamos o nosso site e adotamos ferramentas como o Ajax, uma tecnologia nova na época e que não ofereceu nenhum risco para a empresa e foi bem aceita pelos usuários. Por outro lado, se me oferecerem um novo banco de dados, que prometa ser muitas vezes mais rápido que o que usamos hoje, vou querer saber quem está usando e desde quando. É importante cases de sucesso antes de adotar algo tão vital para os negócios. Mesmo se for uma solução fantástica, ao sabermos que seremos os primeiros a usar numa aplicação crítica, vamos realizar análises e testes completos antes de colocar em produção. Isso poderá demandar um longo prazo, tempo em que a aplicação poderá deixar de ser tão inovadora.

LÚCIO ANTÔNIO NUBILE – ex-CIO e atual diretor de operações Cummins do Brasil
Ser um early adopter depende muito do perfil da companhia. Existem aquelas que se arriscam mais em adotar uma nova solução que ainda não foi bastante testada. A aposta é que a solução seja inovadora o suficiente para sair na frente e se destacar no mercado. Além da vocação, também depende muito do porte. Numa empresa de menor porte, não digo em faturamento, mas em logística, as decisões são tomadas mais rapidamente e caso se precise voltar atrás na decisão, as conseqüências são menores. Uma empresa do porte da Cummins, que possui filiais em vários países, com diversos fusos horários, uma decisão errada tem um impacto maior e a reversão é bem mais complicada e cara. Por outro lado, o mercado de tecnologia é repleto de exemplos de ferramentas já existentes, que ganharam novas características e passaram a ser vendidas como algo inovador. O antigo Internet Service Provider (ISP) agora virou Software as a Service (SaaS). Mas caso a empresa enxergue oportunidades em uma nova solução, é aconselhável fazer um piloto em alguma planta e testes exaustivos, de forma a minimizar os riscos.

MÁRIO SÉRGIO MOREIRA – diretor de Tecnologia da Informação da TIM
Na esfera pessoal, acho que sempre vale a pena ser um early adopter quando isso significa ser um consumidor bem informado. Isso porque o early adopter não é alguém que compra uma tecnologia apenas pela curiosidade natural. Ele gosta de discutir a respeito dessas novidades e faz questão de disseminar suas impressões. Outra característica curiosa dos early adopters é a admiração que nutrem por determinadas empresas ou setores considerados inovadores. Como executivo de tecnologia, acho que a busca por inovações fortalece a imagem corporativa e faz com que a empresa seja admirada. Por outro lado, não podemos nos descuidar da segurança, pois uma nova tecnologia traz uma margem maior de riscos. O segredo está em identificar oportunidades, avaliar bem os riscos e os benefícios e fazer exaustivos testes e pilotos antes de colocar uma nova solução em produção. Naturalmente, quanto mais crítica for a aplicação, mais a questão da segurança irá pesar, e menor o espaço para o pioneirismo, a não ser que haja uma compensadora geração de valor aos negócios. Mas para quem está certo de seus objetivos e prefere liderar a ser liderado, vale a pena sair na frente.

ROBERTO MARUCCO – CIO da SulAmérica Seguros e Previdência
Sim, vale a pena desde que traga valor ao negócio com baixo risco. Nos consideramos early adopter no mercado local e dentro do nosso setor. Por outro lado, por princípio, só adotamos soluções consagradas no mercado mundial. Em geral, ao avaliar uma nova solução, sempre consultamos o Gartner, buscamos referências, montamos um business case e uma prova de conceito. No fim do ano passado, implementamos uma ferramenta de Business Rule Engine (máquina de regras de negócio). Trata-se de uma solução para quem opera com muitas ombinações de regras, trazendo mais agilidade. Dessa forma, pudemos lançar novos produtos com mais rapidez, como seguros para mulheres. Em um outro case, por solicitação da área de negócios, iniciamos há três anos um projeto de biometria para substituição de carterinhas de seguro saúde. Fizemos um piloto em quatro unidades, mas chegamos à conclusão de que a solução ainda não estava madura. Mas não consideramos que foi um fracasso, pois adquirimos know-how e no início do próximo ano devemos retomar o projeto, esperando que o cenário já tenha mudado.

ROBERTO NEWTON CARNEIRO – CIO da Comgás
Vale a pena desde que os benefícios compensem os riscos. A grande questão em ser inovador está na análise dos riscos versus o potencial de geração de valor para o negócio. Nós pesamos variáveis como os processos de negócio afetados, o fornecedor da solução, o ineditismo do projeto e as alternativas de contingência em caso de problemas. No caso de soluções sem potencial de diferenciação e geração de valor, nós buscamos alternativas maduras e de baixo risco. A Comgás tem um perfil mais conservador, porém traz a inovasão como um dos seus mais importantes valores. Engana-se quem pensa que não estamos num mercado competitivo e que não precisamos inovar para trazer mais valor para o nosso negócio. Se não temos um concorrente na distribuição de gás natural, concorremos com o gás liquefeito de petróleo (GLP), com a eletricidade e com outras alternativas energéticas. A concorrência é dura e as nossas áreas de negócios precisam ser criativas e oferecer novos serviços. Isso exige respostas rápidas da área de TI, que por sua vez precisa ter um viés inovador para responder a todos os desafios. Para isso, precisamos às vezes ser early adopters.

TACYANA SALOMÃO – CIO Eurofarma
A Eurofarma, pelo seu próprio perfil, tem uma tendência de se posicionar como pioneira na área de TI. Um bom exemplo é que fomos a primeira empresa farmacêutica no Brasil a adotar a Nota Fiscal Eletrônica. Esta era uma tecnologia que todos, em algum momento, teriam de implementar. Achamos que valia a pena participar do projeto, dispensar tempo, recurso financeiro e capital humano. Ao final o saldo foi positivo, além de nos anteciparmos a uma regulamentação, aprendemos muito. Claro que o tempo que levamos para implantação foi maior, pois partimos do zero. Mas nos tornamos referência no mercado. Outro exemplo de pioneirismo foi a implementação de uma solução de SRM (Supplier Relationship Management), para gerenciamento da cadeia de suprimentos, em conjunto com a SAP. No Brasil, em torno de cinco empresas estão usando a solução. Como não havia consultores com o conhecimento necessário, capacitamos o nosso pessoal. A equipe do projeto recebeu treinamento no exterior. Corremos riscos, mas o resultado foi compensador. Conseguimos um diferencial competitivo frente à concorrência.

Fonte: Info Corporate

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