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TI André Dourado em 23 nov 2008

Data centers: as cinco armadilhas dos projetos de mudança

Michael E. Bullock, CIO USA
Publicada em 20 de novembro de 2008 às 15h23

Entenda como, a exemplo do Estado do Oregon, não transformar em pesadelo as ações para reduzir custos e melhorar a performance dos data centers.

Nenhum executivo do C-level, seja ele o CIO ou CFO, pretende investir no data center da sua própria empresa, especialmente durante períodos de turbulência econômica. Contudo, o funcionamento perfeito – ou mesmo adequado – desse tipo de ambiente não deve ser encarado como um luxo, mas, sim, como uma necessidade empresarial.

E há boas chances do data center de sua companhia não estar adequado ao que seria ideal. Na verdade, segundo um estudo realizado pela AFCOM Data Center Institute, nos Estados Unidos, 53% das empresas pretendem mudar ou expandir os atuais data center, nos próximos anos. E quase um terço das corporções vão precisar deslocar a infra-estrutura, ao passo que 45% esperam fazer grandes melhorias nas suas atuais instalações.

O que há de errado com os data centers? Eles são antigos, o que significa que não foram projetados para a alimentação de energia e a refrigeração necessárias na atualidade. Além disso, o TCO (custo total de propriedade) está aumentando de forma expressiva para a maioria das empresas; e as instalações – que há cinco anos eram as ideais -, muitas vezes, não suportam mais a crescente quantidade de dados a ser recolhidos, armazenados e processados.

Assim, as empresas que prentendem mudar, consolidar ou reformular os atuais data centers em curto e médio prazo precisam estar atentas a alguns pontos, voltados a garantir tanto a eficiência quanto a melhor relação custo-benefício. Mas, principalmente, devem ficar preocupadas em evitar os problemas mais comuns nesse tipo de operação.

O pesadelo do Oregon

Em 2004 o Estado do Oregon (Estados Unidos) lançou um projeto para consolidar os data centers de 12 agências estaduais e seus cerca de 1700 servidores em um único e novo local, baseado no padrão Tier 3. O objetivo era reduzir o número de equipamentos e sistemas operacionais – diminuindo assim hardware, licenças, gestão e custos -, conseguindo melhores acordos de nível de serviço, além de garantir uma melhor segurança de dados.

A instalação do novo ambiente foi concluída em janeiro de 2006 e envolveu US$ 20 milhões. Um ano depois, as informações de 11 agências foram migradas para o data center a um custo de US$ 43 milhões. Só com a realocação dos servidores foram gastos US$ 25 milhões, ou cerca de US$ 4 milhões por agência, um gasto espantoso.

Em julho de 2008, o Estado emitiu um relatório admitindo que, na realidade, apenas 70 dos 1700 servidores haviam sido eliminados, e novos acordos de nível de serviço foram efitivados. Além disso, a segurança do ambiente era tão pobre que o Departamento de Educação não pôde mudar para a nova instalação, devido ao risco de não cumprir as regulamentações federais em relação à privacidade. E uma outra agência do Oregon teve de retornar para seu velho data center, uma vez que o novo ambiente não tinha a alimentação de energia suficiente.

Se não bastasse, não havia uma forma de medir a economia de custos obtida com o projeto.

O que deu errado? O Oregon caiu em quase todas as armadilhas que podem representar o fracasso dos projetos para mudança e consolidação de data centers.

As cinco armadilhas e como evitá-las:

1. Planejamento inadequado: O administrador de tecnologia do Oregon admitiu que o plano de realoção dos servidores para a nova instalação foi subestimado. E subestimar a complexidade de uma mudança de data center, o tempo necessário e as competências exigidas para fazer ajustes representa mais uma regra do que uma exceção entre as companhias.

Isso é especialmente verdadeiro quando se trata de aplicativos. Nos ambientes heterogêneos, que caracterizam a maior das infra-estruturas de TI – com muitas adequações caseiras nos sistemas desenvolvidas ao longo dos anos – nenhum ferramenta de software existente pode ver todas as interdependências. Para dar conta disso, é necessário prever um tempo para recolher e gerenciar todos o conhecimentos dos profissionais que gerenciam as aplicações. Com efeito, a mudança do data center muitas vezes coloca uma sobrecarga para os departamentos de TI, os quais, na maior parte dos casos, já estão sobrecarregados.

As experiências indicam que é necessário criar uma equipe dedicada a esse planejamento das mudanças ou, ainda, as empresas precisam buscar a ajuda de profissionais externos para essa tarefa.

2. Subestimar o consumo de energia: O responsável pelo projeto no Oregan disse que a capacidade de 55 watts por square foot (pé quadrado) prevista no projeto foi muito baixa. Isso porque, calcula-se que atualmente os data centers demandam algo entre 150 a 300 watts por square foot.

Mas o caso do Oregon não é isolado, uma vez que os profissionais de TI freqüentemente subestimam os requisitos e o custo da energia do data center, uma vez que não se consideram responsáveis por esse tipo de gasto.

Um levantamento recente indica que 68% dos gestores de TI não são responsáveis pela conta de energia elétrica relacionada ao uso dos equipamentos do data center. É importante certificar-se de as áreas administrativas e de tecnologias discutam suas preocupações para que o planejamento das mudanças no data center prevejam todas as diferentes perspectivas. Esta é a única forma de prevenir que os atuais problemas fiquem ainda maiores e virem um novo centro de custos.

3. Não ter uma base confiável de comparação: Foi difícil para o Oregon determinar quanto a mudança para o novo data center representou de economia de custos. Isso porque, a base de dados fornecida sobre os antigos ambientes – fornecida por cada uma das agências – não tinha informações consistentes e os números eram subestimados ou inexistentes.

Mas é impossível melhorar aquilo que não se pode medir. Assim, antes de fazer mudanças no data center, a empresa precisa ter muito claro qual o TCO atual. Só com esses números, as corporações podem analisar quanto um projeto pode representar, efetivamente, em termos de redução de custos e melhoria de qualidade.

4. Atualizar sistemas durante as mudannças: O Oregon consolidou as suas instalações antes de o padrão de arquitetura e as questões de licenciamento terem sido resolvidas. E qualquer alteração realizada durante esse tipo de mudança adiciona riscos e complica o projeto. O que vale, especialmente, para a tendência de que os data centers invistam na consolidação e na virtualização de servidores.

Embora interessante, a virtualização é um projecto significativo em si mesmo. Assim, tentar implementá-la durante a mudança dos servidores significar fazer duas coisas bastante complexas, ao mesmo tempo, o que aumenta os riscos de fracasso.

5. Não há substituto para a experiência: Como mudar um data center é, geralmente, uma experiência única na carreira dos profissionais de TI, as empresas têm pouco conhecimento acumulado sobre a forma de conduzir bem esse projeto. Além do entendimento das mudanças, o processo exige conhecimento específicos sobre a instalação e operação desse tipo de ambiente e que é muito particular.

Dessa forma, se a corporação tem alguém com a experiência nesse tipo de projeto, deve colocá-la como líder da equipe responsável pela mudança. Ou, caso não tenha profissionais com conhecimento no assunto, deve buscar alguém no mercado para assumir essa função.

Fonte: CIO

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