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Carreira &TI &best André Dourado em 21 dez 2008

Menos pode ser mais

Cibele Gandolpho, da Info CORPORATE
11 de julho de 2008

Há vantagens em trocar uma grande empresa por outra de menor porte

Trocar um emprego numa grande organização por outro, em uma empresa menor, é um movimento visto com desconfiança por executivos, principalmente pelos que vêem na mudança um sinal de decadência profissional. Só que com a forte concorrência por vagas nas grandes companhias e o aumento dos investimentos em TI nas médias empresas, esse é um caminho cada vez mais comum para CIOs. Vale a pena fazer essa troca? Para responder a essa pergunta, Info CORPORATE ouviu especialistas em carreira, headhunters e também CIOs que já ocuparam cargos em empresas maiores do que aquelas onde estão hoje em dia.

Uma grande diferença entre empresas grandes e pequenas é o prestígio, um valor bastante discutível. “Nem sempre a média empresa paga menos. Há muitos casos em que companhias pequenas e médias procuram profissionais tarimbados e que tenham experiência atestada para iniciar projetos de TI do zero. E, para isso, estão dispostas a pagar bem”, afirma José Augusto Minarelli, presidente da empresa de outplacement Lens & Minarelli. Para Ione de Almeida Coco, vice-presidente do programa para executivos do Gartner na América Latina, pode encontrar vantagens em uma empresa menor. “Se for por opção própria, logicamente, o CIO deve ter fatores bastante condizentes, como um salário melhor, um cargo maior ou mais liberdade”, diz Ione.“Mas ele precisa saber que terá de colocar a mão na massa, já que as equipes são menores na maioria dos casos”, diz.

Foi o que ocorreu com Alceu Bravo, que comandava a TI da empresa de vales e alimentação Sodexho, e hoje é CTO (chief technology officer) da fabricante de brinquedos Tectoy. Por quatro anos ele teve à sua disposição uma grande e variada equipe. Após uma reestruturação, Bravo viu que era hora de deixar a casa. Por meio de um headhunter, ele conseguiu a vaga na Tectoy e foi avisado que começaria muitas coisas do zero. “A empresa procurava um profissional de mercado, com bastante experiência em TI para iniciar muitos projetos, e estava disposta a pagar por isso”, diz. A troca de emprego não causou impacto em sua remuneração, diz Bravo, mas se viu obrigado a cumprir tarefas que já não faziam parte de seu cotidiano. “Voltei a negociar com fornecedores. Antes, eu tinha quem fizesse isso por mim”, afirma.

A grande lição, segundo Ione, do Gartner, é descobrir como a nova empresa pode proporcionar enriquecimento profissional. “O CIO versátil vai aprender a aproveitar as oportunidades aonde quer que vá. No currículo, estar hoje em uma empresa grande e amanhã, em uma de menor tamanho, não faz a menor diferença”, afirma Ione. A experiência acumulada nunca é esquecida e pode ser aplicada novamente. É o que espera fazer Elio Boccia, que assumiu o posto de CIO da Medial Saúde em dezembro do ano passado depois de três anos atuando na área de desenvolvimento de novos negócios da IBM. Antes, Boccia atuou por 12 anos como CIO e posteriormente diretor executivo de administração (COO) do Unibanco. “O que me motiva nesta troca é a idéia de trabalhar em uma indústria nova para mim e levar todo o conhecimento que eu tenho de TI. A tecnologia simplesmente revolucionou o segmento bancário e tenho certeza de que pode fazer o mesmo na área de saúde”, afirma Boccia.

Mais que o porte da empresa, o importante é olhar o tamanho do orçamento de TI, que define a importância do CIO para o negócio e, indiretamente, também sua remuneração. O desafio do líder de TI, na visão de Boccia, é fazer com que a tecnologia assuma um papel mais central. Conforme o CIO consegue aumentar os benefícios da TI para a empresa, aumentarão também os investimentos na área e a importância do líder de TI. E isso, com o tempo, se converte em melhores salários para o CIO.

Buscar um posto numa empresa que considera o trabalho do CIO relevante também é uma razão para migrar. Na Tectoy, Bravo discute o orçamento diretamente com o presidente, por exemplo. No emprego anterior, ele se reportava ao vice-presidente de tecnologia e operações, que tinha uma visão financeira do negócio. “Geralmente, o CEO tem uma visão mais ampla do negócio e é mais fácil apresentar os projetos, sem tantas limitações financeiras”, afirma Bravo.

A liberdade também é vista como um ponto positivo por Wellington Brigante, CIO da Zilor, grupo de usinas de açúcar e álcool e ex-CIO da Camargo Côrrea Cimentos. Em relação ao orçamento, Brigante confessa que hoje tem mais liberdade para apresentar suas idéias. “No trabalho anterior minha gestão era muito engessada, porque lá os projetos eram compartilhados com todo o grupo e muitas autorizações eram necessárias. Isso exigia muito da minha capacidade de negociação. Hoje, é menos burocrático, o que facilita o meu trabalho”, diz Brigante. Como em toda empresa, os projetos precisam focar na redução de custos, soma de benefícios e entrega no prazo. A diferença, segundo Brigante, foi o dinamismo nos processos, somado aos desafios, reconhecimento profissional e remuneração.

Alternativa importante
Para quem foi demitido de uma grande organização, a empresa média deve ser considerada uma alternativa importante de recolocação. “Se o executivo está desempregado, o jeito é aceitar um salário mais baixo ou uma função menos decisiva, sem perder de vista que uma nova ocupação pode ser cheia de desafios e coisas novas para aprender”, diz Minarelli. Em situações como essa, a recomendação é ser pragmático. “É melhor ficar na segunda divisão do que ficar fora do campeonato”, diz Minarelli, que costuma aconselhar seus clientes a avaliar cada proposta. No mercado de trabalho dos CIOs, esse raciocínio tem um peso especial, uma vez que a área é muito dinâmica e exige profissionais muito atualizados. “Permanecer muito tempo fora do mercado de TI não é um bom negócio. A área é muito ativa”, afirma Minarelli.

Publicado originalmente na Corporate de Fevereiro de 2008

Fonte: INFO Corporate

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