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Tech &TI André Dourado em 13 fev 2009

Volta ao mundo em 1 080p

Juliano Barreto, de INFO Online
13 de fevereiro de 2009

Quando foi promovido, Marthin De Beer, atual vice-presidente sênior de tecnologias emergentes da Cisco, precisou mudar de Dallas, no Texas, para San Jose, na Califórnia. Além da distância de 2 253 quilômetros entre as duas cidades, outro problema: a secretária de Beer não poderia acompanhá-lo. O estilo de vida no Silicon Valley seria caro demais para ela. Foi aí que o executivo acabou transformando o impasse numa excelente propaganda do que os sistemas de telepresença podem fazer. Hoje, quem chega ao escritório dele na Califórnia é recepcionado por uma tela full HD de 67 polegadas, que exibe ao vivo a secretária, sentadinha e sorridente lá em Dallas.

Por essa descrição, você pode ter imaginado que a projeção é apenas uma espécie de videoconferência em tela grande. Não é bem por aí. As opções de telepresença comercializadas por empresas como Cisco, HP e Polycom criam uma impressionante sensação de imersão e envolvem uma infraestrutura especial que vai da configuração da rede com links dedicados até a decoração das salas. De acordo com a consultoria Frost & Sullivan, a venda e a instalação de sistemas como esse movimentarão mais de 3 bilhões de dólares no mundo até 2010. Para montar a infraestrutura, uma empresa gasta de 30 mil a 500 mil dólares, mas economiza com passagens aéreas e ganha em produtividade. É quase como um teletransporte para os executivos.

Ao vivo e em full HD
A reprodução da imagem de clientes ou de sócios em tamanho real e em alta definição, em 1 080p, é a característica mais atraente das soluções de telepresença. Só que o resultado final dessa mágica está longe de ser feito apenas por câmeras e LCDs. As salas de telepresença seguem um padrão idêntico de pintura, mobília e iluminação — tudo para dar uma sensação de continuidade entre as duas salas. “O ambiente especial e a qualidade de vídeo aumentam a percepção das reações, dos movimentos de seu interlocutor como se fosse numa reunião de verdade”, diz Carlos Pane, gerente da área de comunicação integrada da IBM.

O áudio também é calibrado para reproduzir o posicionamento dos executivos na mesa. Com um sistema de som espacial, os canais de áudio (entre 3 e 5) reproduzem as vozes mais para o canto ou mais para o centro da mesa de reunião. Se uma folha de papel for arrastada de uma ponta a outra da mesa dá para ouvir o ruído atravessando a sala com perfeição, como foi comprovado pela INFO numa reunião realizada na sala TP-3000, da Cisco.

Além disso, a empresa precisa ter um bom link de internet disponível e equipamentos para fazer a compressão e a descompressão do vídeo em tempo real. “Com o uso de codecs, são necessários 5 Mbps para a transmissão de cada tela em 1 080p. Sem a compressão, seria preciso 1,5 Gbps para realizar a mesma tarefa”, diz Marcelo Ehalt, diretor de engenharia da Cisco.

Apesar de toda essa complexidade, o usuário não precisa ser fera em tecnologia. Basta reservar a sala de reunião pelo Outlook e depois apertar um botão do telefone-IP para iniciar a chamada. Todo o resto do trabalho fica com as equipes de instalação e suporte, que deixam a sala calibrada e pronta para ser usada. “Há equipes treinadas para testar a conexão antes das reuniões. A empresa também pode solicitar o acompanhamento do suporte em tempo real”, afirma Pierre Rodrigues, diretor de operações da Polycom. O técnico vê a conferência por meio de outra câmera e resolve eventuais dificuldades em tempo real.

Quanto vale o show?
Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, as empresas americanas passaram a pensar duas vezes antes de colocar seus executivos em viagens de negócios. A solução na época foi investir em videoconferência. Atualmente, o medo de terroristas arrefeceu, mas a crise econômica global pede cortes de custos. A telepresença, mesmo com preços ainda altos, pode render um bom retorno sobre o investimento.

Para ver se o cálculo vale a pena, não basta comparar os 30 mil dólares de uma sala de telepresença básica com os 8 mil reais de uma única passagem de São Paulo para Nova York na classe executiva. “Dependendo do salário do executivo, você deve calcular o tempo que ele perde viajando. São horas de trabalho desperdiçadas”, afirma Pierre Rodrigues, da Polycom.

Hologramas a caminho
A exibição holográfica da repórter da CNN na cobertura das eleições americanas causou frisson pelo mundo, mas cenas como aquela podem começar a se repetir em qualquer sala de reuniões. Com um novo protocolo de rede batizado de Next IP e projetores especiais, a empresa australiana Telstra demonstrou uma tecnologia para exibição de imagens 3D ao vivo. De acordo com a Telstra, o sistema só deve ser comercializado daqui a uns cinco anos, devido ao elevado custo da infra-estrutura de roteadores com velocidade de até 193 terabits por segundo.

Kabul Online
Se a história do filme Cartas de Iwo Jima, sobre a Segunda Guerra Mundial, se passasse nos dias de hoje, o título do longa definitivamente precisaria mudar de nome. A comunicação entre os soldados e suas famílias avançou muito desde então. Os soldados aliados da OTAN, que servem em Kabul, no Afeganistão, por exemplo, já podem se comunicar com seus familiares por meio de um sistema de telepresença portátil feito de material resistente ao calor. O sinal é enviado por satélites e exibe em tempo real as imagens dos familiares, numa sala do quartel general da OTAN, na Bélgica.

Leia Também: Os 10 mitos sobre a telepresença

Fonte: INFO Professional

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Um comentário para “Volta ao mundo em 1 080p”

  1. em 14 fev 2009 às 10:01 1.blog.adsystems.com.br » Os 10 mitos sobre a telepresença escreveu …

    [...] Leia também: Volta ao mundo em 1 080p [...]

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