Carlos Ossamu , da Info CORPORATE
17 de julho de 2008
Optar por um pacote de mercado para processos transacionais pode ser a melhor opção mas fazer sob medida dá o diferencial. Qual escolher?
O bom senso da TI aponta para o uso de pacotes prontos em processos transacionais e a opção por sistemas especializados para processos onde é importante ter um diferencial. Mas a decisão por um ou por outro nem sempre é fácil, pois existem diversas variáveis que devem ser levadas em conta, como a infra-estrutura tecnológica, a solução que se pretende implementar e a cultura organizacional. Conheça a opinião de seis CIOs sobre o assunto. São eles Adriano Aquino (Sab Company), Alceu Santucci Bravo (Sodexho), Cristiane De Lucas (Michelin), João Cumerlato (Norberto Odebrecht), Mendel Szlejf (Lojas Marisa) e Rubens Nascimento (Boehringer).
Adriano Aquino
Diretor de TI – Sab Company
“Até o ano passado, nossa preferência era pelo desenvolvimento interno. Agora, optamos pelo conceito de SOA e multisourcing, com fornecedores que são especialistas no que fazem. Não existe fornecedor que consiga fazer tudo bem. Cada um é bom em determinada área. O ERP da SAP, por exemplo, não atende todas as nossas necessidades. Ele não tem um módulo de comércio exterior, por isso usamos o da Softway. Na área de CRM, optamos pela Microsoft, uma vez que a plataforma é o Windows Server 2003; em web EDI a escolha foi a Sterling Commerce. Acredito que a estratégia de multisourcing, firmando parcerias com os melhores fornecedores, é hoje a vanguarda da tecnologia. Mas, para isso, é preciso trabalhar com o conceito de governança de TI e seguir as melhores práticas do Itil, como fazemos. A gestão dos fornecedores é ponto fundamental para o sucesso. Além de contratos de SLA, é preciso deixar claro quais são as responsabilidades das partes. Em caso de problema, isso evita jogo de empurra. A escolha de parceiros de ponta não aumenta os custos, pelo contrário, pode até baixar, pois as soluções serão mais aderentes e produtivas.”
Alceu Santucci Bravo
Diretor de TI – Sodexho
“Optar por pacotes integrados ou sistemas especializados não é uma decisão simples. A arquitetura de sistemas deve estar vinculada ao DNA da empresa. É preciso analisar o negócio, a cultura, o legado tecnológico e as soluções de mercado. Sempre que possível deve-se evitar a necessidade de integração de sistemas, pois sempre há riscos de falhas, delays na sincronização, manutenção quando há atualizações etc. Se houver um pacote pronto, integrado, funcional e que satisfaça as necessidades do negócio, tanto melhor e ele deve ser a escolha. Há algum tempo trabalhei no start up de uma empresa de telefonia celular e optamos por um ERP internacional, específico para esse segmento, com tudo integrado, de ponta a ponta. Mesmo com customizações, a implementação foi rápida e a empresa entrou redonda em operação. Numa outra empresa de telecom onde trabalhei, a decisão foi integrar sistemas best-of-breed e a empresa sofreu muito, com resultados bastante negativos, inclusive financeiros. Por outro lado, um sistema especializado pode trazer grandes benefícios. Atualmente na Sodexho estamos avaliando a adoção de um CRM. Somos uma empresa de serviços e queremos ser cada vez mais parceiros dos clientes. Apesar de termos um ERP, acreditamos que uma solução especializada é mais indicada.”
Cristiane De Lucas
CIO da Michelin para a América do Sul – Michelin
“Os pacotes globais são a melhor opção para todos os processos considerados commodities, como contabilidade, faturamento, folha de pagamento, gerência de estoque etc. Já para processos específicos, o melhor é optar por sistemas especializados, caso eles existam, ou pelo desenvolvimento interno sob medida. Aqui na Michelin usamos o ERP da JD Edwards, implementado em 2002. Na época, não havia um módulo de CRM, processo que considero commodity. Testamos as soluções da Vantive, da Clarify e da Siebel. A escolha recaiu sobre a última, que foi parametrizada para as necessidades da América do Sul. Vamos fazer uma atualização do ERP, que agora já traz um sistema de CRM. Não avaliamos ainda esse módulo, pois estamos satisfeitos com a solução da Siebel. Se na época a JD Edwards oferecesse a solução, talvez a tivéssemos usado. Na Michelin, consideramos os processos de chão de fábrica os mais específicos. Culturalmente, e também por recomendação da matriz, preferimos sempre o desenvolvimento interno nesse caso, que pode ser reutilizado em outras usinas. Soluções específicas ou não, o ideal é a empresa se adequar às aplicações oferecidas pelo mercado, minimizando as parametrizações.”
Mendel Szlejf
CIO das Lojas Marisa
“Se o pacote integrado atender plenamente às necessidades da empresa, esse sem dúvida é a melhor opção. Tudo nele já está testado, pronto e funcional, o que significa uma implementação mais rápida. Para os processos de back office, eles são os mais indicados. Por outro lado, em caso de processos específicos, optar pelo pacote e ter de fazer inúmeras customizações não é uma boa política. Além do trabalho inicial de adaptação, quando for necessária uma atualização, tudo o que foi realizado deverá ser refeito. Ao mesmo tempo em que há a facilidade e a rapidez de implementação, os pacotes também engessam o ambiente dentro de uma única plataforma. A escolha por um sistema especializado ocorre quando a necessidade não é suprida. Somos usuários do data warehouse/BI da MicroStrategy há dez anos. Na época, não tínhamos um ERP e tivemos de buscar um sistema especializado. Em junho deste ano concluímos a implementação do SAP, que traz um módulo de BI. Estamos aguardando a estabilização do sistema para avaliarmos esse mdulo e decidir se vale a pena adotá-lo. ”
João Cumerlato
Diretor de TI – Construtora Odebrecht
“Os pacotes de software são os mais indicados para aplicações transacionais em empresas que possuem administração centralizada. Para esse perfil, eles oferecem importantes vantagens, como a padronização dos processos e o ponto de contato com um único fornecedor. São ainda soluções testadas e baseadas em melhores práticas. Já para empresas que possuem administração descentralizada, que atuam em setores muito dinâmicos, os pacotes não estão entre as melhores opções. Os sistemas best-of-breed, por sua vez, são indicados para processos onde é importante ter um diferencial. Por outro lado, eles perdem por exigir um trabalho em integração com os sistemas existentes, customização e compatibilidade visual. Mas se essa for a opção da empresa, a TI existe para servir a área de negócios. Na Odebrecht, adotamos algumas soluções best-of-breed, mas o foco está no desenvolvimento sob medida. A companhia é descentralizada e cada projeto possui suas particularidades. Se os pacotes e os sistemas especializados têm a vantagem da rapidez na implementação, o desenvolvimento sob medida tem vida útil mais longa e atende plenamente as necessidades do negócio.”
Rubens Nascimento
Diretor de TI – Boehringer Ingelheim
“Não existe uma única solução que atenda 100% as demandas de uma empresa. Os pacotes são os mais recomendados para operações transacionais, pois foram construídos seguindo práticas já testadas. Há sistemas específicos, que são as melhores soluções para determinada aplicação. Por sermos uma multinacional, temos de seguir padrões estabelecidos pela matriz, dentro de uma estratégia global. Mundialmente, adotamos o BI da Cognos, mas desenvolvemos customizações que serviram de base para outras subsidiárias da Boehringer no mundo. No Brasil, existem aspectos legais e fiscais, por exemplo, que nos forçam a adotar soluções diferentes. Uma vantagem é que no segmento farmacêutico criamos um grupo de CIOs de cerca de 20 laboratórios. Trocamos experiências sobre soluções e fornecedores. Temos benchmarks para nos basear. Somos concorrentes, mas temos de competir no mercado e não na área de TI. Um fornecedor que prestou mau serviço para um laboratório, não significa que não poderá fornecer para nós, mas terá muito a explicar.”
Publicado originalmente na Corporate de Novembro de 2006
Fonte: INFO Corporate
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